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Grupo de Ideal Espírita André Luiz

A PRECE (2)
A prece é o nosso canal de comunicação com as forças superiores; é o esforço através do qual procuramos elevar nosso Espírito da situação vibratória em que se encontra para regiões vibratórias mais elevadas.

O homem, sentindo a sua impossibilidade, a sua pequenez, em não podendo resolver problema que o aflige, recorre a quem possa ajudá-la, às forças superiores, especialmente a Deus.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo Allan Kardec dedica todo um capítulo para analisar a prece e, em outro, organizar uma coletânea delas de maneira que ficasse bem claro o valor que dava a esse ato, outrora simplesmente de adoração, e no qual reconhecemos, com a Doutrina Espírita, um poderoso meio de comunicação com as forças do bem.

Vejamos como assentou, dentro do Espiritismo, as bases de compreensão da prece.

“A prece é uma invocação; por ela um ser se coloca em comunicação mental com o outro ser ao qual se dirige. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou uma glorificação. Pode-se orar por si mesmo ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução das suas vontades; aquelas que são dirigidas aos bons Espíritos são levadas a Deus. Quando se ora a outros seres, senão a Deus, é apenas na qualidade de intermediários, intercessores, porque nada se pode fazer sem a vontade de Deus.

O Espiritismo faz compreender a ação da prece explicando o modo de transmissão do pensamento, seja quando o ser chamado vem ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento o alcança. Para se inteirar do que se passa nessa circunstância, é preciso mentalizar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que ocupa o espaço, como o somos, neste mundo, na atmosfera. Esse fluido recebe um impulso da vontade; é o veículo do pensamento como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto que as do fluido universal se estendem ao infinito. Portanto, quando o pensamento é dirigido a um ser qualquer, sobre a Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou de desencarnado a encarnado, estabelece-se uma corrente fluídica de um para o outro, transmitindo o pensamento como o ar transmite o som.

“A energia da corrente está em razão do vigor do pensamento e da vontade. Por isso, a prece é ouvida pelos Espíritos, em qualquer lugar em que eles se encontrem, os Espíritos se comunicam entre si, nos transmitem suas inspirações, os intercâmbios se estabelecem à distância entre os encarnados.

“Esta explicação é, sobretudo, para aqueles que não compreendem a utilidade da prece puramente mística, e não tem por objetivo materializar a prece, mas tornar o seu efeito mais inteligível, mostrando que pode ter uma ação direta e efetiva. Ela, por isso, não fica menos subordinada à vontade de Deus, juiz supremo em todas as coisas, único que pode tornar sua ação efetiva.”

Para que se tenha uma idéia de como as preces se irradiam, são detectadas e atendidas, quando justas e merecedoras de atenção, vamos trazer algumas informações que tiramos dos livros de André Luiz.

O livro Entre a Terra e o Céu, do referido Autor, psicografado por Francisco Cândido Xavier, (15 edição FEB) representa o relato das providências que foram tomadas, pelos Espíritos, para atenderem à rogativa de uma jovem de quinze anos, com dificuldades na família. Vejamos o início do livro onde o Espírito Ministro Clarêncio, disserta sobre a prece para, em seguida, apreciarmos o apelo que motivou as deligências descritas no referido livro.

“No Templo do Socorro, o Ministro Clarêncio comentava a sublimidade da prece, e nós o ouvíamos com a melhor atenção.

“– Todo desejo – dizia, convincente – é manifestação de poder. A planta que se eleva para o alto, convertendo a própria energia em fruto que alimenta a vida, é um ser que ansiou por multiplicar-se...

“– Mas todo petitório reclama quem ouça – interferiu um dos companheiros. – Quem teria respondido aos rogos, sem palavras, da planta?

“O venerando orientador respondeu, tranquilo:

“– A Lei, como representação de nosso Pai Celestial, manifesta-se a tudo e a todos, através dos múltiplos agentes que a servem. No caso a que nos reportamos, o Sol sustentou o vegetal, conferindo-lhe recursos para alcançar os objetivos que se propunha atingir.

“E, imprimindo significativa entonação à voz, continuou:

“– Em nome de Deus, as criaturas, tanto quanto possível, atendem às criaturas. Assim como possuímos em eletricidade os transformadores de energia para o adequado aproveitamento da força, temos igualmente, em todos os domínios do Universo, os transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento... As correntes centrais da vida partem do Todo-Poderoso e descem a fluxo, transubstanciadas de maneira infinita. Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência e da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram.
Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas...
O caminho da ascensão espiritual é bem aquela escada milagrosa da visão de Jacob, que passava pela Terra e se perdia nos céus...
A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais encontram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais nobre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imortalidade remontam às alturas...

“O mentor generoso fez pequeno intervalo, como a dar-nos tempo para refletir e acentuou:

“– Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de frequência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posições... No Reino Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à medida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si as qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da via, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria.

“(....) Nesse instante, uma jovem de semblante calmo penetrou no recinto e, dirigindo-se ao nosso orientador, falou algo aflita:

“– Irmão Clarêncio, uma de nossas pupilas do quadro de reencarnações sob suas diretrizes pede socorro com insistência...

“– É um apelo individual urgente? – indagou o Ministro, preocupado.

“– É assunto inquietante, mas numa prece refratada.

“O prestimoso instrutor convidou-nos a acompanhá-lo e seguimo-lo, atentamente.

“Numa sala ampla, em que numerosas entidades trabalhavam solicitas, Clarêncio recebeu da jovem um pequeno gráfico que passou a examinar cauteloso.

“Em seguida, comentou, espontâneo:

“– Ainda agora, falávamos de responsabilidade. Eis um fato que nos ilustra os conceitos.

“E, exibindo o documento que trazia nas mãos, explicou:

“– Temos aqui uma oração comovedora que superou as linhas vibratórias comuns do plano de matéria mais densa. Parte de uma devotada servidora que se ausentou de nossa cidade espiritual, há precisamente quinze anos terrestres, para determinadas tarefas na reencarnação. Não seguiu, porém, desassistida. Permanece sob nossa orientação. O nascimento e o renascimento, no mundo, sob o ponto de vista físico, jazem confiados a leis biológicas de cuja exceção se incubem Inteligências especializadas, contudo, em suas características morais, subordinam-se a certos ascendentes do espírito.

“(....) – Mas, que vem a ser uma oração refratada? – Indagou o meu colega, mordido de curiosidade.

“Hilário fora igualmente médico no mundo e, tanto quanto eu, permanecia em tarefas ligadas à responsabilidade de Clarêncio, adquirindo conhecimentos especializados.

“– A prece refratada é aquela cujo impulso luminoso teve a sua direção desviada, passando a outro objetivo.

“ (....) Ainda anteontem, pude vê-la. Chorava, comovedoramente, diante da fotografia da mãezinha desencarnada, suplicando-lhe proteção. Odila, porém, envolvida nas teias das próprias criações mentais, não se mostra capaz de corresponder à confiança e à ternura da menina. Ela, entretanto,tem insistido com tal vigor na obtenção de socorro espiritual que as suas rogativas, quebrando a direção, chegam até aqui, de tal modo...

“Reparávamos o pequeno gráfico em silêncio.

“Sustando a pausa longa, o Ministro fixou Hilário e indagou:

“– Compreendem agora o que seja uma oração refratada?
Evelina recorre ao espírito materno que não se encontra em condições de escutá-la, mas a solicitação não se perde... Desferida em elevada frequência, a súplica de nossa irmãzinha vara os círculos inferiores e procura o apoio que lhe não faltará.

Apreciamos aqui a recepção de uma rogativa dirigida a um Espírito determinado, impossibilitado de atendê-la mas, que, no entanto, em virtude de seu alto teor vibratório ultrapassou os limites vibratórios da realidade material para ser ouvida na comunidade espiritual, localizada na terceira esfera terrestre, que lhe patrocinou a reencarnação, por onde foi atendida.

No livro Ação e Reação, psicografado por Francisco Cândido Xavier (14´ edição FEB), podemos apreciar um caso de prece materna, dirigida à Mãe Santíssima, e que deverá ser atendido pelas legiões que representam. Vale a pena transcrever as considerações traçadas a respeito para que se entenda melhor o mecanismo da prece e de seus efeitos.

“– Acompanhemos, por exemplo, aquela nossa irmã em súplica. Postar-nos-emos na retaguarda, de modo a não a incomodar com a nossa presença. E, envolvendo-a nas vibrações da nossa simpatia, assimilar-lhe-emos a faixa mental, percebendo, com clareza, as imagens que ela cria em seu processo pessoal de oração.

“Obedecemos maquinalmente e, de minha vez, à medida que concentrava a atenção naquela cabeça grisalha e pendente, mais se alterava o estreito espaço do nicho aos meus olhos...

“Pouco a pouco, qual se emergisse da parede lirial, linda tela se me desdobrava à visão, tomada de espanto. Era a reprodução viva da formosa escultura de Teixeira Lopes, representando a Mãe Santíssima chorando o Divino Filho morto...

“E as frases inarticuladas da veneranda irmã em prece ressoavam-me nos ouvidos:

“– Mãe Santíssima, Divina Senhora da Piedade, compadece-te de meus filhos que vagueiam nas trevas!...

“Por amor de teu filho sacrificado na cruz, ajuda-me o espírito sofredor para que eu possa ajudá-los...

“Bem sei que por sinistro apego às posses materiais, não vacilaram em abraçar o crime.

“Em verdade, Senhora, são eles homicidas infortunados que a justiça terrestre não conheceu... Por isso mesmo, padecem com mais intensidade o drama das próprias consciências, enleadas à culpa...”

“Nesse ponto da petição, Silas tocou-nos, de leve, os ombros convidando-nos ao ensinamento devido e explicou:

“– É uma pobre mãe desencarnada que roga pelos filhos transviados nas sombras. Invoca a proteção de nossa Mãe Santíssima, sob a representação de Senhora da Piedade, segundo a fé que o seu coração pode, por enquanto, albergar, no âmbito das recordações trazidas do mundo...

“– Isso quer dizer que a imagem de nossa visão...

“Esta observação ficou porém, no ar, porque Silas completou, presto:

“– É uma criação dela mesma, reflexos dos próprios pensamentos com que tece a rogativa, pensamentos esses que se ajustam à matéria sensível do nicho, plasmando a imagem colorida e vibrante que lhe corresponde aos desejos.

“E respondendo automaticamente às indagações que o problema nos sugeria, continuou:

“– Isso, contudo, não significa que a prece esteja sendo respondida por ela mesma. Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazareth, a fim de serem examinadas e atendidas,conforme o critério da verdadeira sabedoria.

Convém lembrar que, nas transcrições em que se orava à monja de Liseux e ao Dr. Bezerra de Menezes, tratavam-se de Espíritos desencarnados, no mundo espiritual, valendo as regras, pois, como não poderia deixar de ser, tanto para encarnados quanto para desencarnados.

Sendo a prece uma invocação, a irradiação do pensamento, e todo desejo, como nos ensinou Clarêncio, sendo uma manifestação de poder, na verdade, quando desejamos uma coisa, e pedimos ajuda para realizá-la, invocamos em nosso favor as forças que lhe correspondem à vibração, ou frequência, do nosso pensamento.

Não nos parece necessário, assim, que tornemos formalmente a atitude de quem ora, para que estejamos orando e nosso desejo seja ouvido e atendido, pelas legiões de Espíritos encarregados de ouvir e atender os desejos compatíveis com a realidade de cada um. Basta desejar e pensar, sendo que A energia da corrente está em razão do vigor do pensamento e da vontade, como nos ensinou Allan Kardec, e podemos constatar na transcrição acima.

O desejo malsão, portanto, é uma prece em sentido contrário, ou seja, ao invés de buscar as alturas, o superior, dirige-se para as regiões inferiores, onde Espíritos que se lhe afinam buscarão atendê-la.

Quando nos remoemos numa crise de inveja, por exemplo, a pessoa invejada recebe o impacto de nosso pensamento, mas, além disto, aliciamos Espíritos desencarnados inferiores que se nos associam para destruir o objeto de nossa inveja. Não se faz necessário que alguém encomende um trabalho contra o próximo, para que Espíritos inferiores venham em sua ajuda, basta que deseje o mal para que estes se interessem.

A propósito, no livro Os Mensageiros, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz, 26edição FEB, página 132, encontramos advertência nesse sentido. O ambiente era de uma enfermaria, onde jaziam Espíritos desencarnados em sono profundo, por alimentarem a crença no nada depois da morte. Iniciemos, no entanto, a transcrição a partir do momento em que foi proferida sentida prece pelo Espírito de Ismália no momento de socorro espiritual naquela enfermaria.

“Fizera lsmália nova pausa, agora mais longa. Enxuguei os olhos umedecidos de pranto. Suave calor, todavia, apossavasse-me da alma. E tão intensa era essa nova sensação de conforto, que interrompi a concentração em mim mesmo, a fim de olhar em torno. Fixando instintivamente o alto, enxerguei, maravilhado, grande quantidade de flocos esbranquiçados, de tamanhos variadíssimos, a caírem copiosamente sobre nós que orávamos, exceto sobre os que dormiam. Tive a impressão de que eram derramados do céu sobre nossa fronte, caindo com a mesma abundância sobre todos, desde Ismália ao último dos servidores. Não cabia em mim de admiração, quando novo fenômeno me surpreendeu. Os flocos leves desapareciam ao tocar-nos, começando, porém, a sair de nossa fronte e do peito grandes bolhas luminosas, com a coloração da claridade de que estávamos revestidos, elevando-se no ar e atingindo as múmias numerosas. Ainda aí, reparava o problema da gradação espiritual. As luzes emitidas por Ismália eram mais brilhantes, intensas e rápidas, alcançando muitos enfermos de uma só vez. Em seguida, vinham as fornecidas pelas senhoras de seu círculo pessoal. Depois, tínhamos a de Aniceto, de Alfredo e dos demais, O servos de corpo obscuro emitiam vibrações fracas, mas visivelmente luminosas. Cada qual, naquele instante de contato com o plano superior, revelava o valor próprio na cooperação que podia prestar.

“Observando-me o assombro, Aniceto falou-me aos ouvidos:

“– Na prece encontramos a produção avançada de elementos-força. Eles chegam da Providência em quantidade igual para todos os que se dêem ao trabalho divino da intercessão, mas cada Espírito tem uma capacidade diferente para receber. Essa capacidade é a conquista individual para o mais alto. E como Deus socorre o homem pelo homem e atende a alma pela alma, cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor, com as qualidades de elevação já conquistadas na vida.

“As luzes da prece inundavam o vasto recinto. Palpitava em tudo, agora, uma claridade serena, doce, irradiante, muito diversa da luminosidade artificial. Os flocos luminosos que partiam de nós multiplicavam-se no ar, como se obedecessem a misterioso processo de segmentação, e caíam sempre sobre os corpos inanimados e enrijecidos, dando a impressão de lhes penetrarem as células mais íntimas.

“Eu estava boquiaberto. Não me fora permitido contemplar fenômenos dessa natureza em “Nosso Lar”. Aliás, concluía, ainda não recebera auxílio magnético às percepções, senão poucas horas antes da viagem.

“A claridade crescia e estendia-se em espetáculo prodigioso.

“Agora, porém, abandonáramos a atitude de recolhimento destinada à concentração de nossas próprias forças e emissão de energias vibratórias. Nossos corpos, todavia, continuavam envolvidos em vasto círculo irradiante. Prosseguindo, porém, o grande silêncio, notei que a luz da oração se fazia mais clara, mais penetrante. Começei a ver, como no caso de Ana, que todos aqueles esqueletos misérrimos apresentavam núcleos de sombra, além das máscaras mortuárias, núcleos que se mostravam dentro de formas variadíssimas.

“As bolhas luminosas caíam incessantemente, mas agora, como se fossem dirigidas por uma vontade inteligente, concentravam-se quase todas sobre as frontes imóveis. Então, pude observar o inaudito e inconcebível para mim.

“As múmias, porque não posso dar outro nome aos irmãos que dormem, começaram a dar sinais de vida. Alguns daqueles infelizes deixavam escapar gemidos angustiosos, outros falavam em voz alta, dando conta dos pesadelos que os atormentavam, como sonâmbulos prestes a despertar. Muitos moviam os pés e as mãos, como a se esforçarem por fugir ao sono doloroso.

"(....) Aniceto percebendo-nos a perplexidade, falou a Vicente e a mim, de maneira significativa:

“– Conforme viram, o trabalho da prece é mais importante do que se pode imaginar no círculo dos encarnados. Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos. Acresce notar, porém, já que comentamos o assunto, que a rogativa maléfica conta, igualmente, com enorme potencial de influenciação. Toda vez que o Espírito se coloca nessa atitude mental, estabelece um laço de correspondência entre ele e o Além. Se a oração traduz atividade no bem divino, venha donde vier, encaminhar-se-á para o Além em sentido vertical, buscando as bênçãos da vida superior, cumprindo-nos advertir que os maus respondem aos maus nos planos inferiores, entrelaçando-se mentalmente uns com os outros. É razoável, porém, destacar que toda prece impessoal dirigida às Forças Supremas do Bem, delas recebe resposta imediata, em nome de Deus. Sobre os que oram nessas tarefas benditas, fluem, das esferas mais altas, os elementos-força que vitalizam nosso mundo interior, edificando-nos as esperanças divinas, e se exteriorizam, em seguida, contagiados de nosso magnetismo pessoal, no intenso desejo de servir com o Senhor.”

Nesta página altamente elucidativa, podemos ver o efeito prático e imediato da prece quando aplicada num trabalho assistencial, como seria, por exemplo, os trabalhos de passes magnéticos, que se aplicam nos Centros Espíritas. Imaginemos o mesmo mecanismo.

O médium passista, ou curador, querendo-se, eleva seu pensamento em prece ao Criador recebendo, das forças vivas e superiores do Bem, a resposta em forma de energia que lhe abastece o Espírito e, como o impulso que o move é ajudar a pessoa a quem aplica o passe, essa energia que vem do Alto, através dos Espíritos superiores que o ajudam, entra nele, que é mecanismo intermediário, e sai, na forma de energia misturada às suas próprias aquisições espirituais, para se derramar sobre o paciente, podendo-se notar que, realmente, há sempre uma contribuição pessoal do médium no benefício final.

Ponto importante a destacar, na citação acima é a afirmação de que cada um recebe, da Providência, igual quantidade de elementos-força, sendo que, no entanto, cada um só assimila porção compatível com a sua posição espiritual, ou seja, com as suas conquistas individuais. O Celeiro Divino se abre atados, no entanto, somente podemos retirar dele o que caiba no espaço que conquistamos.

Já que abordamos o problema da cura pela prece associada ao passe magnético, será bom trazermos um fato, relatado na Revista Espírita, de janeiro de 1863, página 5, edição IDE, de cura à distância tão-só pelos efeitos de preces feitas coletivamente por um grupo de pessoas.

“Eis a contrapartida desse fato, e uma prova da eficácia da prece, quando ela é feita com o coração e não com os lábios.

“Uma jovem, contrariada em suas inclinações, fora unida com um homem com o qual ela não podia simpatizar. O desgosto que ela nisso concebeu, levou-a a uma alteração em suas faculdades mentais; sob o império de uma idéia fixa, perdeu a razão, e foi obrigada a ser isolada. Essa senhora jamais ouvira falar do Espiritismo; se ela dele tivesse se ocupado, não haveria faltado de dizer que os Espíritos lhe haviam virado a cabeça. O mal provinha, pois, de uma causa moral acidental toda pessoal, e, em semelhante caso, concebe-se que os remédios comuns não poderiam ter nenhum recurso; como não havia nenhuma obsessão aparente, poder-se-ia duvidar igualmente da eficácia da prece.

“Um membro da Sociedade Espírita de Paris, amigo da família, acreditou dever interrogar sobre esse assunto um Espírito superior, que respondeu: “A idéia fixa dessa senhora, por sua própria causa, atrai, ao seu redor, uma multidão de Espíritos maus que a envolvem com seu fluido, mantendo-a em suas idéias, e impedindo que cheguem a ela as boas influências. Os Espíritos dessa natureza pululam sempre nos meios semelhantes ao que ela se encontra, e são, frequentemente, um obstáculo à cura dos enfermos. No entanto, podeis curá-la, mas é preciso para isso uma força moral capaz de vencer a resistência, e essa força não é dada a um só. Que cinco ou seis Espíritas sinceros se reúnam todos os dias, durante alguns instantes, e peçam com fervor a Deus e aos bons Espíritos para assisti-la; que vossa ardente prece seja, ao mesmo tempo, uma magnetização mental, não tendes, para isto, necessidade de estar junto dela, ao contrário; pelo pensamento podeis levar sobre ela uma corrente fluídica salutar, cuja força estará em razão de vossa intenção e aumentada pelo número; por esse meio, podereis neutralizar o mau fluido que a envolve. Fazei isto; tende fé e confiança em Deus, e esperai.”

“Seis pessoas se devotaram a essa obra de caridade, e não faltaram um único dia, durante um mês, à missão que tinham aceito. Ao cabo de alguns dias a doente estava sensivelmente mais calma; quinze dias depois, a melhoria era manifesta, e hoje essa mulher reentrou em sua casa num estado perfeitamente normal, ignorando ainda, assim como seu marido, de onde veio a sua cura.

“O modo de ação está aqui claramente indicado, e não saberíamos acrescentar nada de mais preciso à explicação dada pelo Espírito. A prece não tem, pois, só o efeito de chamar, sobre o paciente, um socorro estranho, mas o de exercer uma ação magnética. O que não se poderia, pois pelo magnetismo secundado pela prece! Infelizmente, certos magnetizadores fazem muito, a exemplo de muitos médicos, abstração do elemento espiritual; eles não vêem senão a ação mecânica, e se privam assim de um poderoso auxiliar. Esperamos que os verdadeiros Espíritas verão mais tarde, nesse fato, uma prova a mais do bem que poderão fazer em semelhante circunstância.”

Orar, eis um recurso valioso que a Misericórdia Divina nos colocou em mãos, a fim de nos ajudar na caminhada difícil da evolução espiritual. Orando nos ligamos aos Espíritos que nos são superiores e que, em nome de Deus, atendem as criaturas humanas, encarnadas e desencarnadas, porque sendo a prece uma invocação pode nos pôr em ligação instantânea com os seres aos quais nos dirigimos.

Sendo a prece também a manifestação de nossos desejos, cuidemos para que não venhamos a desejar o mal para ninguém, porque correremos o perigo de que Espíritos piores do que nós nos secundem os impulsos e venhamos, com a sua ajuda, a produzir mais dano do que supúnhamos, e pagar mais caro do que esperávamos pelo desejo malsão.


Matéria extraída da Revista Espírita ano II Maio de 1996 Nº 4 e 5, escrita por Salvador Gentile, IDE.
Link da Página: http://www.grupoandreluiz.org.br/ler_materia.php?id=97
(Publicado em 23/03/2010)
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